O Sítio do Cromeleque dos Almendres

 

 

Consciente do especial significado do Cromeleque dos Almendres, da sua evidente monumentalidade e, sobretudo, da crescente e por vezes excessiva e desregrada curiosidade turística que provoca, Andrea Morgenstern, uma arquitecta paisagista alemã residente na Boa Fé, viria a desenvolver e a apresentar como trabalho académico de final de curso (2005), na Technische Universitaet Berlin, uma proposta de intervenção paisagística para o “sítio do Cromeleque dos Almendres”, publicamente divulgada em sessão muito concorrida que teve lugar na Sede do Grupo ProÉvora no passado dia 24 de Maio. Partindo, precisamente, das últimas investigações sobre estes monumentos e do entendimento do seu papel enquanto a parte “construída” de um sistema simbólico muito mais vasto que integraria a própria paisagem natural envolvente, Andrea Morgenstern, acaba por propor uma intervenção magistralmente minimalista. Afastando do monumento toda a parafernália habitual das musealizações e dos “alindamentos paisagísticos” hoje tão em voga, propõe-se essencialmente, para além da necessária e urgente reposição do solo erosionado e da recuperação da sua vegetação herbácea natural, proporcionar espaço livre para que o monumento, ao ser visionado nos dias de hoje, possa pelo menos sugerir, alguns dos possíveis “alinhamentos” ou “orientações” do passado. Para tanto, o indispensável “parque de estacionamento” deverá afastar-se tanto quanto possível e os acessos, obrigatoriamente pedonais e com um mínimo de “construção”, deverão permitir uma descoberta gradual e diferenciada do monumento, partindo de ângulos diferentes. Por sua vez, a informação interpretativa deve ser proporcionada ao visitante, no próprio parque de estacionamento, devendo usar suportes elementares, não só por razões de integração num meio preferencialmente natural, não construído, mas também para reflectir a precariedade das nossas interpretações actuais.

A apresentação pública da proposta da Arquitecta Andrea, para além da sua inegável e interessante componente técnica, acabaria por revelar-se muito oportuna, dado o contexto temporal em que surgiu, nomeadamente em pleno período de discussão pública da nova proposta de PDM para o município de Évora, e na qual a Herdade dos Almendres aparece identificada como zona vocacionada para um empreendimento turístico. De facto, a presença na sessão, quer dos promotores, quer de representantes da autarquia (políticos e técnicos) e de vários organismos públicos (CCDRA, IPPAR, etc...) mostrou o interesse e a sensibilidade do tema para os eborenses. Não estando em causa o potencial turístico da referida Herdade (embora se possa questionar o modelo tipo “ressort” que parece estar nas intenções dos promotores), parece ter ficado claro para todos os presentes, graças à intervenção de Andrea Morgenstern, que a salvaguarda do Cromeleque dos Almendres e do seu especial significado arqueológico passa mais por uma ampla reserva e protecção do seu especial enquadramento paisagístico, do que pela construção de sofisticados “centros interpretativos”... E passará também, mas essa é uma outra temática, pela urgente tomada de medidas de conservação, quer do solo envolvente quer dos próprios menires, alguns apresentando já graves patologias.

 

 

1919-2019

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"Em 16 de Novembro de 1919 foi formalmente fundado o Grupo Pro-Évora. Até hoje, somam-se mais de noventa anos de actividade em defesa do património e de valores culturais da cidade de Évora." A Direcção

 

Seis Colunas

imageForam instaladas seis colunas Séc. XVII, no pátio do Grupo Pro-Évora em Fevereiro de 2011.

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"Guia de Escultura da Cidade de Évora"

imageEsta edição bilingue (português/inglês) localiza e identifica cerca de 50 esculturas públicas. Com fotografias de Paulo Nuno Silva, mapas, fichas técnicas e textos introdutórios de Maria do Mar Fazenda, são propostos três percursos temáticos - Percurso Evocativo, Percurso Simpósio ’81 e Percurso (Re)Pensar a Cidade – que dão visibilidade e leitura às peças instaladas na cidade.

Este livro está disponível nas seguintes livrarias da cidade: Nazareth, D. Pepe, Salesianos e Fonte de Letras.



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