Comunicado - Em defesa do Museu de Évora

Em defesa do Museu de Évora

 

A proposta de lei de transferência de competências para as autarquias locais, datada de 9 de Janeiro de 2017, enviada pelo governo aos municípios e demais entidades envolvidas, estabelece, no artigo 14º, relativo à Cultura: «É da competência dos órgãos municipais: … b) Gerir, valorizar e conservar os museus que não sejam classificados como museus nacionais; …».

Face a este articulado, o Museu de Évora, que não está classificado como museu nacional, poderá vir a ser tutelado pela Câmara Municipal de Évora, situação que se afigura ao Grupo Pro-Évora como inteiramente desajustada, sem que se compreenda quais são as vantagens que uma tal eventualidade pode proporcionar.

O acervo do Museu de Évora é composto por valiosas colecções de pintura, escultura, arqueologia, azulejaria, ourivesaria e joalharia, paramentaria e alfaias litúrgicas têxteis, mobiliário, constituindo um conjunto patrimonial que ultrapassa em muito as dimensões local e regional, e que é representativo da arte e da cultura nacionais, nos seus diversos períodos históricos. A Sul do rio Tejo, é o único com estas características.

A gestão, a valorização e a conservação deste acervo público, pelas exigências técnicas e financeiras que envolvem, de modo continuado no tempo, só podem ser asseguradas por uma entidade que disponha dos recursos adequados, o que apenas é garantido por serviços sob tutela governamental. O município de Évora, por muito boa vontade que possa ter, não dispõe dos meios necessários que garantam continuadamente aquelas exigências.

O Estado Português não se pode desresponsabilizar das suas obrigações culturais e patrimoniais, sob pena de provocar a degradação e a destruição de bens identitários nacionais de modo irreparável.

Évora, cidade caracterizada pelo seu património histórico e cultural, integrado na lista do Património da Humanidade da UNESCO, não deve ficar indiferente a esta proposta governamental, que ameaça o futuro do seu Museu. O Grupo Pro-Évora, cuja fundação, em 1919, está directamente relacionada com a instalação condigna do Museu de Évora, desenvolverá as iniciativas necessárias à defesa desta instituição e ao reconhecimento do seu estatuto.

Évora, 1 de Fevereiro de 2017.

A Direcção do Grupo Pro-Évora

 

 

Classificação da Cartuxa de Évora

O Grupo Pro-Évora propôs a classificação de todo o conjunto do Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli (Cartuxa de Évora) como Monumento Nacional, tendo feito a entrega da documentação necessária na Direcção Regional de Cultura do Alentejo na quinta-feira, dia 27 de Agosto. O Grupo visa a salvaguarda material e simbólica de todo o conjunto monástico, do qual os últimos monges da Ordem da Cartuxa em Portugal, os “monges brancos”, se despediram no início de Outubro de 2019.

Em 1916, a Igreja do Convento da Cartuxa de Évora foi classificada Monumento Nacional. O Grupo Pro-Évora pretende alargar a classificação a todo o conjunto arquitectónico monástico, ao património móvel e integrado existente (pintura, estatuária, heráldica, azulejaria, talha, mobiliário, espólio da Livraria) e à área do deserto monástico, de 78 hectares (a cerca do Mosteiro, que inclui uma mata de eucaliptos, um sofisticado sistema hidráulico, que integra um troço do Aqueduto de Água de Prata, uma Arca d’Água, vários tanques de alvenaria, uma nora de grandes dimensões, diversos poços e ainda pequenas arquitecturas de lazer), que se propõe como Zona Especial de Protecção do conjunto monumental.

O GPE fez acompanhar o Requerimento Inicial do Procedimento de Classificação de uma declaração de apoio subscrita por personalidades de reconhecida competência nas áreas envolvidas – Artur Goulart de Melo Borges, Aurora Carapinha, Elsa Caeiro, Francisco Bilou, Joaquim Oliveira Caetano, José Aguiar, Manuel Branco, Maria de Jesus Monge, Marta Oliveira, Miguel Soromenho, Nuno Lecoq, Vítor Serrão.

Propriedade da Fundação Eugénio de Almeida, o Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli é uma das mais notáveis obras do renascimento português, da autoria do arquitecto Giovanni Vincenzo Casale, e foi o último mosteiro contemplativo masculino em Portugal.

Galeria sudoeste do eremitério de Santa Maria Scala Coeli. Autor: Fernando Jorge, 2018

Galeria sudoeste do eremitério de Santa Maria Scala Coeli. Autor: Fernando Jorge, 2018



Jardim do eremitério de Santa Maria Scala Coeli. Autor: Fernando Jorge, 2018.

Jardim do eremitério de Santa Maria Scala Coeli. Autor: Fernando Jorge, 2018.



Interior da Cela V de Santa Maria Scala Coeli. Autor: Fernando Jorge, 2018

Interior da Cela V de Santa Maria Scala Coeli. Autor: Fernando Jorge, 2018

1919-2019

image

"Em 16 de Novembro de 1919 foi formalmente fundado o Grupo Pro-Évora. Até hoje, somam-se mais de cem anos de actividade em defesa do património e de valores culturais da cidade de Évora." A Direcção

 

"Escultura no Pátio"

Situado na Rua do Salvador, o pátio da sede do Grupo Pro-Évora recebe projectos de intervenção artística no domínio da escultura desde a década de oitenta do século passado. Este espaço revela características muito particulares em termos arquitetónicos, quer pela exposição de parte da muralha fernandina da cidade, quer pela relação reservada enquanto espaço público. Por aqui já passaram mais de duas dezenas de instalações artísticas de vários autores portugueses e estrangeiros. Apresentamos um breve olhar sobre as últimas obras aqui expostas.