Conversa com Álvaro Domingues

O geógrafo Álvaro Domingues vai estar em Évora no próximo dia 8, terça-feira, para conversar sobre o seu último livro - Volta a Portugal. Dedicando boa parte do seu trabalho às transformações recentes da sociedade e do território do nosso país, o seu olhar e a sua análise constituem um importante contributo crítico – e irónico – para a caracterização da realidade portuguesa.
A conversa, aberta a todos os interessados, decorrerá no Anfiteatro 3 do Colégio Luís António de Verney, pelas 18 horas. Numa organização conjunta da Associação de Solidariedade Social dos Professores, da Livraria Fonte de Letras, do Grupo Pro-Évora e do Centro de História de Arte e Investigação Artística - CHAIA da Universidade de Évora, a apresentação da obra estará a cargo da professora Aurora Carapinha.
Para Álvaro Domingues, professor associado da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, «não são só a sociedade e o território que mudam – as geografias mentais de Portugal e as suas memórias colectivas encontram-se em profunda transformação».
O Alentejo merece-lhe a atenção. Afirma, entre outras considerações, que «nas últimas décadas as mudanças foram vertiginosas e contraditórias com o final do longo ciclo do trigo e a entrada veloz da vinha, da oliveira e de um leque variado de culturas regadas e novidades tão inesperadas quanto a produção de papoilas para a extração de ópio (do povo?). Finalmente, o projecto de rega do Alqueva cumpria a miragem do grande lago e trouxe os investidores internacionais do agro-negócio, o fresquíssimo nome da agricultura. Fala-se novamente nos minérios e na grandeza industrial e portuária de Sines, o Complexo, como lhe chamaram aquando do baptismo. No entanto, o despovoamento continua com o aprofundamento do envelhecimento e a concentração demográfica nas principais cidades e vilas. Na agricultura trabalha gente do Brasil, da Roménia, da Ucrânia, da Moldávia, da China, do Nepal e de outros orientes. São os novos ratinhos do trabalho sazonal. Escravos do campo regado em tempos de globalização». A conversa promete…
"Pela Biblioteca Pública"
Remonta a 1992 a intenção declarada, por parte dos responsáveis pela cultura em Portugal, de dividir a Biblioteca Pública de Évora, uma das mais notáveis do pais. Desde logo o Grupo Pro-Évora iniciou uma campanha de defesa desta instituição, a semelhança do que fizera aquando da sua fundação.
de Celestino Froes David e Marcial Rodrigues
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